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René Sampaio faz novo filme com enredo musical

Ex-aluno da FAC adapta Eduardo e Mônica, depois do sucesso de Faroeste caboclo

 

Uiara Luana

 

Em agosto deste ano, o cineasta brasiliense René Sampaio (40 anos) ganhou com o seu primeiro longa-metragem, Faroeste Caboclo, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro, oferecido anualmente pela Academia Brasileira de Cinema para os melhores filmes nacionais e estrangeiros. 
René é ex-aluno da Faculdade de Comunicação da UnB, formou-se em Jornalismo e Publicidade nos anos 1990. Em entrevista ao site da FAC, ele rememora seus tempos de estudante, fala sobre o registro de imagens na Universidade e conta sobre o novo filme que vai fazer. O diretor vai rodar Eduardo e Mônica, que assim como Faroeste é inspirado em canção homônima do Legião Urbana. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Como foi filmar na UnB? Encontrou antigos professores e revisitou lugares?
Encontrei diversos professores durante a fase de produção: Wagner Rizzo, João Lanari, David Renault, Pedro Jorge, Clodo, Zélia Adghirni, Murilo Ramos, Dione Moura, Dácia Ibiapina, Tânia Montoro, entre outros queridos mestres. Depois, quando o filme foi lançado, fiz questão de voltar e convidá-los pessoalmente para a estreia. Sem o apoio e orientação deles não teria jamais me tornado diretor de cinema. Também voltei aos lugares que eu costumava frequentar, principalmente a ala norte do Minhocão. Gostei muito de entrar em contato novamente com esses locais e lembranças. A UnB, como vocês podem ver na tela, é parte fundamental da história.

Você se formou com dupla habilitação? Que conselho daria a um calouro? 
Eu queria fazer o curso de Cinema. Mas ele estava fechado quando entrei. Me inscrevi então em Jornalismo. Quando faltava um semestre para me formar, eu iniciei publicidade. Nesse meio tempo, eu já trabalhava como assistente de câmera e dividia o meu dia entre o trabalho e a UnB. Eu fazia parte de grupos de pesquisa, extensão e também trabalhava no CPCE [Centro de Produção Cultural e Educativa], onde produzia vídeos institucionais, experimentais, clipes, curtas etc. Na época, o CPCE era dirigido pelo fotógrafo Fernando Duarte, que foi outro professor que me apoiou e orientou em diversos projetos, além de ter me dado diversas oportunidades para trabalhar como assistente de câmera. Não sei se hoje ainda é possível fazer dupla habilitação, mas os conhecimentos dentro e fora de sala de aula que tive nesse período prolongado de UnB foram fundamentais para a minha trajetória no cinema.

Havia mercado em Brasília para um recém-saído da faculdade quando se formou? 
Sim e não. Havia uma interessante produção de videoclipes e comerciais na cidade. Mas era um mercado pequeno e fechado. Primeiro tive que insistir muito para fazer estágio e mesmo para trabalhar de graça, virar madrugadas, entre outras coisas, com o objetivo de entrar no mercado de cinema e também de propaganda. Meu primeiro estágio foi vendendo anúncio em banco de praças. O cliente comprava um anúncio e a firma ia lá e pintava no encosto dos bancos de concreto que ficavam nos clubes da cidade o nome da sua loja ou serviço. Não deu muito certo e depois de dois meses andando pelo comércio local sem conseguir vender um anúncio sequer, acho que o dono da agência se compadeceu do meu esforço e me deu um estágio lá. Ao mesmo tempo, consegui ser assistente de câmera nos filmes do José Eduardo Belmonte e do André Luís da Cunha, que estavam se formando na UnB. Trabalhei bastante com eles depois em projetos autorais, sempre trocando a minha força de trabalho pelo conhecimento que adquiria. Foi quando conheci algumas pessoas do mercado de cinema local e, de filme em filme, eu fui me firmando como assistente profissional. Durante todo esse período eu estudava e guardava cada centavo que sobrava para investir em rolos de negativo, revelação, telecine e condições mínimas de produção para rodar meus curtas e clipes. Quase tudo era feito com equipamentos emprestados pelos amigos ou cedido pela UnB. No primeiro curta que dirigi a produção era basicamente feita pela minha irmã, pela namorada que emprestou o carro, e pela minha mãe, que costurou o fundo de pano à mão. Fui também ajudado por dois colegas da UnB: o fotógrafo Marcelo Barbosa e o produtor Marcos Baby. Tudo no amor, sem dinheiro. Pra montar, pedi ajuda a outro recém-formado, o Dirceu Lustosa, que recentemente foi indicado ao prêmio de melhor montagem por Somos tão jovens. Ele conformou o copião à mão, usando apenas uma coladeira e uma lanterna como mesa de luz. Depois realizei outros curtas, trabalhei como redator em agências de propaganda e finalmente virei diretor de comerciais: a profissão que segui. E foi justamente por isso que tive que abrir os horizontes e também trabalhar fora de Brasília, no Rio e em SP, os dois maiores mercados de propaganda do Brasil. 

Essa situação mudou?
Não sei como está o mercado para quem está saindo da faculdade. Não gosto de dar conselhos. O que funcionou para mim foi começar desde cedo a procurar as parcerias e oportunidades.

Quais foram os incentivos para rodar Faroeste Caboclo em Brasília?
Tivemos um importante aporte de recursos do FAC [Fundo de Apoio à Cultura, de Brasília]. Fomos apoiados pelo Iesb, que nos cedeu espaço físico para instalarmos a nossa base de produção. Fizemos algumas palestras lá e outra na UnB que nos aproximaram da comunidade universitária. Também tivemos o apoio de diversas empresas e da comunidade do Jardim ABC, já em Goiás, onde construímos a Ceilândia dos anos 80. Fomos também muito bem recebidos em todas as quadras do Plano Piloto em que filmamos. Mas dinheiro, de fato, só o fundo do governo. Fechamos todo o resto do orçamento de R$ 6,5 milhões fora de Brasília com empresas e fundos federais. Espero que os resultados do filme ajudem a sensibilizar as empresas locais para as próximas produções.
 
Como foi receber o Prêmio do Cinema Brasileiro por um filme feito na sua cidade?
Foi uma felicidade muito grande receber essa honraria. Acho que existe uma cultura, um modo de viver, que é muito particular nosso e que pode ser abordado na ficção de diversas maneiras. Todos os meus curtas foram rodados na capital e um dos meus próximos projetos, a adaptação da música Eduardo e Mônica, também será rodado na capital.

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